Desmistificando o Inventário de Gases de Efeito Estufa! Qual seu efeito prático?

Muito se fala, mas realmente pouco se entende. Qual a sua função e quais as oportunidades que enxergamos?


Não é de hoje que o mundo fala sobre os polêmicos assuntos “aquecimento global”, “buraco na camada de ozônio”, “descongelamento das calotas polares” etc. Para ser mais preciso, toda essa história começou lá trás, na época em que nem existiam smartphones (sim faz tempo), em 1824, quando um físico francês chamado Joseph Fourier descreve o "efeito estufa" natural do planeta Terra pela primeira vez.


Apesar das diferentes linhas de pesquisa já serem muito antigas, só em 1972 ocorreu a primeira conferência da ONU (Estocolmo) sobre meio ambiente e mudanças climáticas, e somente em 1988 foi criado o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), da ONU, para avaliar as evidências em torno das alterações no clima. Depois disso, por fim, em 1996 foram dadas as primeiras diretrizes e passos para a realização do hoje tão comentado Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEEs).


Não é nossa intenção entrar nestas discussões ou discorrer sobre o quanto parece que estamos atrasados em relação aos impactos que o ser humano pode estar proporcionando à Terra, mas queremos discutir, de fato, na prática, o que é o Inventário, para o que serve e como podemos nos beneficiar dele!


Começando do começo!


Entende-se por “inventário” um documento capaz de contabilizar uma listagem de bens que pertencem a uma pessoa, comunidade, empresa ou uma entidade qualquer. No caso do Inventário de GEEs não é diferente, a sua função é a de mapear as fontes emissoras e respectivas quantidades de gases geradas por elas. Dentro do inventário estas fontes são referenciadas, ou seja, são dados “nomes aos bois” para que se saiba quem é responsável por cada uma destes emissores inventariados. Exemplo: uma empresa, um município, uma pessoa física, um conjunto de entidades etc. São consideradas fontes todos aqueles mecanismos que de alguma forma adicionam à atmosfera os gases .


Enxergado da maneira correta, o ato de se inventariar os GEEs deixa de ser um mero documento e passa a ser uma ferramenta para aquele que o realiza. Como assim? O Inventário de Gases de Efeito Estufa, realizado de forma sistemática e adequada, pode fornecer importantes informações para a gestão da entidade inventariante, pode-se determinar o perfil de emissões, melhorar a organização interna, conhecer a fundo todos os processos internos e externos, otimizar processos tornando-os mais eficientes, dentre outras possibilidades.


Além dos benefícios próprios, a formulação destes inventários, muitas vezes solicitados por órgãos ambientais, fortalece a base de dados científica a qual eles são direcionados assim como a iniciativa do Programa Brasileiro CHG Protocol, que busca a criação de uma cultura permanente de realização de Inventários de GEEs no território nacional, contribuindo inclusive para a maior consciência social sobre o assunto.


A ferramenta, na prática.


A metodologia para se formular um Inventário de GEEs é praticamente a mesma em todo o mundo, mudam apenas alguns valores praticados para o cálculo de emissões propriamente dito. Como mencionado, existe no Brasil o Programa Nacional, desenvolvido pela FGV, que uniu iniciativa privada e governo federal para a adaptação do método internacional GHG Protocol ao contexto brasileiro e possibilitar a realização destes inventários de maneira mais adequada à nossa realidade.


O Programa Brasileiro disponibiliza uma ferramenta computacional automatizada que permite a realização de praticamente todo o trabalho de forma organizada e eficiente. Em resumo, são necessárias as seguintes etapas:


1. Definição de abrangência: Inicialmente determina-se qual será o grau de abrangência do levantamento realizado pela entidade. Estes níveis de abrangência são chamados de “escopos”, sendo existentes 3 diferentes possibilidades:

  • Escopo 1: emissões diretas de GEEs provenientes da operação propriamente dita e que podem ser controladas pela entidade. Exemplo: emissões da frota própria de ônibus de uma empresa de transportes;

  • Escopo 2: emissões indiretas de GEEs provenientes da energia elétrica e/ou térmica consumida e pela perda ocorrida durante a transmissão e distribuição desta energia. Exemplo: emissões ocasionadas pela produção da energia elétrica consumida em um escritório;

  • Escopo 3: outras emissões indiretas de GEE provenientes das atividades e operações, mas que ocorrem a partir de fontes que não são de propriedade ou controladas pela entidade. Exemplo: emissões realizadas por uma motocicleta durante a entrega de um pedido feito por você no ifood.


2. Definição do período de referência: este período nada mais é do que o recorte no tempo em que foram levantadas as informações para a realização do inventário. Geralmente este recorte é feito entre 1º de janeiro e 31 de dezembro, facilitando assim a comparação ao longo dos anos.


3. Identificação de fontes emissoras e coleta de dados: O levantamento das fontes nada mais é do que o ato de destrinchar tudo aquilo que pode gerar alguma emissão de GEEs de forma direta ou indireta para a entidade. Uma vez feito isso, faz-se então o mapeamento daquela fonte ao longo de todo o período de referência. Exemplo: Na empresa de transportes existem dois ônibus. Em 2020 o ônibus A percorreu 50 mil km e o ônibus B percorreu 60 mil km.


4. Resultados: Por fim, após todas essas definições e levantamentos necessários, os resultados para as quantidades de toneladas de cada GEE são enfim calculados!


O Pulo do gato!


Se a Delta S fornece o serviço de desenvolvimento e implementação de Inventário de GEEs? Sim.


Mas não paramos por aí. Entregamos para o cliente também oportunidades!


Acreditamos que a elaboração desse importante trabalho é uma oportunidade para a divulgação e marketing sobre as boas práticas ambientais realizadas pela organização.


“se a vida lhe der limões, faça uma limonada”

Sabemos que cada vez mais os consumidores buscam por companhias responsáveis socioambientalmente, logo, nada melhor do que mostrar para os seus stakeholders o seu compromisso ambiental em quantificar o tamanho do seu impacto relacionado aos gases de efeito estufa e em compensá-lo imediatamente.


Tudo fica mais claro quando são realizadas campanhas de plantio de árvores para a compensação dos gases inventariados, tornando a figura “eco-friendly” da organização ainda mais forte.


Realmente são muitas as possibilidades em torno de uma ferramenta que demorou a nascer e que muito se fala, mas pouco se entende.


Esperamos que esta breve reflexão possa ajudar a explicar o contexto em que vivemos e a abrir os olhos daqueles que enxergam o Inventário de GEEs como uma dificuldade. Na verdade é uma oportunidade!